Sunday, January 23, 2005
Livre
Eram seis e meia da tarde, e o sol ainda não havia se escondido por detrás da montanha. Ele pintava o céu de laranja e a água, de prata.
Estava cansada, mas sorria. Sentia a brisa leve a balançar-lhe os cabelos.
Às vezes era dificil acreditar que tinha chegado até ali. Foi tanta confusão, tanta luta, tanta dor. Achava que não iria conseguir sobreviver.
E de repente estava livre. Da angústia. E sentia paz. Como é que uma dor que fora tão grande simplesmente já não lhe apertava mais o peito? Não, não mais. Agora, só sentia paz.
Continuou caminhando enquanto esses pensamentos lhe enchiam a alma. Respirou fundo. Um ar de satisfação.
Agora sua vida era outra. Não era perfeita, mas era boa, muito boa. Simples, do jeito que tinha que ser. Inteira, como queria ser. Pensou que talvez fosse feliz. E sorriu, mais uma vez.
Estava cansada, mas sorria. Sentia a brisa leve a balançar-lhe os cabelos.
Às vezes era dificil acreditar que tinha chegado até ali. Foi tanta confusão, tanta luta, tanta dor. Achava que não iria conseguir sobreviver.
E de repente estava livre. Da angústia. E sentia paz. Como é que uma dor que fora tão grande simplesmente já não lhe apertava mais o peito? Não, não mais. Agora, só sentia paz.
Continuou caminhando enquanto esses pensamentos lhe enchiam a alma. Respirou fundo. Um ar de satisfação.
Agora sua vida era outra. Não era perfeita, mas era boa, muito boa. Simples, do jeito que tinha que ser. Inteira, como queria ser. Pensou que talvez fosse feliz. E sorriu, mais uma vez.
Tuesday, January 18, 2005
Ondas
As ondas estouravam nas pedras. Ele estava lá, olhando. Tentando entender o porquê. Se tudo estava tão bem, porque aquele sentimento estranho no peito. Tudo estava bem, aparecentemente bem, superficialmente bem.
Quando encontrava com alguém, sempre aquela pergunta: E aí, tudo bom? Tudo bem. Mas não era isso que ele sentia.
Seu coração parecia apertado. Apertado por estar cheios de coisas que não lhe preenchiam. E com isso, ao mesmo tempo era um vazio.
A princípio parecia sem motivo. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo. Somente ele sabia que aquilo era real. Aquilo! Aquilo que ele não conseguia definir.
Como se estivesse sozinho no meio da multidão, um cego na claridade, um surdo na gritaria.
As ondas estouravam nas pedras. Ele só ficava mirando, tentando permitir que elas lhe lavassem a alma.
Quando encontrava com alguém, sempre aquela pergunta: E aí, tudo bom? Tudo bem. Mas não era isso que ele sentia.
Seu coração parecia apertado. Apertado por estar cheios de coisas que não lhe preenchiam. E com isso, ao mesmo tempo era um vazio.
A princípio parecia sem motivo. Ele não conseguia entender o que estava acontecendo. Somente ele sabia que aquilo era real. Aquilo! Aquilo que ele não conseguia definir.
Como se estivesse sozinho no meio da multidão, um cego na claridade, um surdo na gritaria.
As ondas estouravam nas pedras. Ele só ficava mirando, tentando permitir que elas lhe lavassem a alma.
Sunday, January 09, 2005
Gelo
Ele entrou em casa. Deixou a chave e a carteira na mesa. Ligou o ar condicionado.
Foi em direção ao bar.
Pegou seu copo preferido. E foi a cozinha, abriu o freezer. Colocou no copo três pedras de gelo.
Voltou ao bar. Abriu a garrafa. On the rocks, seu preferido.
Caminhou até o armário, ligou o som. Norah Jones.
Sentou-se. E ficou olhando pela janela. Chovia lá fora.
Ele mexia o gelo, com o dedo. Pensava. Mas não sentia nada.
Somente um imenso vazio.
Ficou ali, quase imóvel.
Entre um gole e outro, somente Norah Jones...
Foi em direção ao bar.
Pegou seu copo preferido. E foi a cozinha, abriu o freezer. Colocou no copo três pedras de gelo.
Voltou ao bar. Abriu a garrafa. On the rocks, seu preferido.
Caminhou até o armário, ligou o som. Norah Jones.
Sentou-se. E ficou olhando pela janela. Chovia lá fora.
Ele mexia o gelo, com o dedo. Pensava. Mas não sentia nada.
Somente um imenso vazio.
Ficou ali, quase imóvel.
Entre um gole e outro, somente Norah Jones...