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Tuesday, January 31, 2006

Tarde 

Caía a tarde.
Ainda estava quente, mas o sol já ia se pôr.
E assumindo de vez o novo hábito, pôs-se ali, sentada, a contemplar.
E o seu silêncio era tão profundo que ela quase se misturava ao vai-e-vem das ondas, quase se dissipava na energia dos raios de sol.
Uma paz profunda lhe preenchia a alma. E nada mais.
Ela tinha tratado de se esvaziar. E ao se esvaziar, se encontrou.
O último raio reluziu, e fez cintilar o anel. A lua e a estrela. Conforme Caetano cantou.

Sunday, January 29, 2006

Brisa 

A tarde estava cinza.
Mas não no seu coração.
O vento lhe balançava os cabelos. Mais uma vez.
Só que agora era a bonança.
Depois da tempestade, finalmente.
Por vezes, pensou que não fosse resistir. Por vezes pensou que seria engolida pela chuva forte, carregada pela correnteza, e muitas foram as vezes que quase esgotou com suas forças.
Por surpresa, acabou se mostrando mais forte do que imaginava ser.
E agora era bonança.
O céu podia estar cinza, o dia podia estar escuro.
Não importava. Pois carregada dentro de si o dourado pôr-do-sol.
E o vento, agora, era brisa, brisa com cheiro de mar.

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