Wednesday, April 06, 2005
Olha
Olha pra mim. Veja se você consegue ver o que nem mesmo eu enxergo.
E me explica por que as coisas estão assim!... Conta pra mim por que minha alma está tão aflita, por que o mar de dúvidas está tão agitado, quase a ponto de fazer meu barco naufragar.
As sombras estão confusas, como se o vento estivesse batendo nos coqueiros e refazendo a todo instante seus desenhos no chão.
E me conta o porquê desta falta de constância, que me leva de um lado pra outro em um segundo, que constrói castelos de verdades e os implode em menos de um minuto...
Sem pilares. Sem norte.
Vem, olha pra mim, dentro da minha pupila, e me diz o que você vê.
E me conta se você ouve meus gritos no silêncio.
Porque eu já estou surda. Cega. Quase muda, quase calada.
E na calada da noite eu me escondo. Pra acordar na manhã seguinte já diferente. Por mais que ninguém perceba...
E me explica por que as coisas estão assim!... Conta pra mim por que minha alma está tão aflita, por que o mar de dúvidas está tão agitado, quase a ponto de fazer meu barco naufragar.
As sombras estão confusas, como se o vento estivesse batendo nos coqueiros e refazendo a todo instante seus desenhos no chão.
E me conta o porquê desta falta de constância, que me leva de um lado pra outro em um segundo, que constrói castelos de verdades e os implode em menos de um minuto...
Sem pilares. Sem norte.
Vem, olha pra mim, dentro da minha pupila, e me diz o que você vê.
E me conta se você ouve meus gritos no silêncio.
Porque eu já estou surda. Cega. Quase muda, quase calada.
E na calada da noite eu me escondo. Pra acordar na manhã seguinte já diferente. Por mais que ninguém perceba...
Peter Pan
Ele não queria crescer.
No fundo era isso. Queria continuar num mundo onde as dores são poucas, onde a obrigação é quase divertida.
Era medo.
Medo de não conseguir lidar com os desafios, medo de não ter forças pra carregar nos ombros o que a vida lhe entregaria, medo de ter seu coração partido, medo de fracassar, medo de sentir sangrar, medo de não escolher os melhores caminhos, medo de deixar de ser o herói.
Os meninos perdidos quiseram voltar. A Wendy quis voltar.
E não havia como fugir: ainda se ouvia o tic-tac do relógio na barriga do crocodilo.
Ele tinha era que aprender a continuar voando fora da Terra do Nunca.
No fundo era isso. Queria continuar num mundo onde as dores são poucas, onde a obrigação é quase divertida.
Era medo.
Medo de não conseguir lidar com os desafios, medo de não ter forças pra carregar nos ombros o que a vida lhe entregaria, medo de ter seu coração partido, medo de fracassar, medo de sentir sangrar, medo de não escolher os melhores caminhos, medo de deixar de ser o herói.
Os meninos perdidos quiseram voltar. A Wendy quis voltar.
E não havia como fugir: ainda se ouvia o tic-tac do relógio na barriga do crocodilo.
Ele tinha era que aprender a continuar voando fora da Terra do Nunca.
Noturno
E de repente ela estava ali sozinha. Perdida nos seus pensamentos.
Não havia mesmo ninguém a sua volta; a porta estava fechada.
Era quase como se conseguisse sair do seu corpo e olhar pra sua vida.
Mas não estava disposta a fazer nenhum julgamento de valor. Só queria ver, observar, absorver tudo o que tinha, e se aperceber daquilo que estava abrindo mão.
Não era hora ainda de tentar descobrir se as escolhas estavam sendo boas, se estava mesmo feliz. Porque, havia já alguns dias, estava em dúvida sobre o real significado de felicidade...
Era ter o que ser quer, ou querer o que se tem?
Era sentir paixão, ou era sorte de um sabor de fruta mordida?
Era brincar e apostar no risco, ou era a suavidade de um dia tranquilo ?
Já não sabia mais...
Sem isso, não havia como tentar julgar. Sem intenção de julgar, só olhava.
E no meio do olhar perdido, seus pensamentos se perderam no escuro da noite.
E ela dormiu.
Não havia mesmo ninguém a sua volta; a porta estava fechada.
Era quase como se conseguisse sair do seu corpo e olhar pra sua vida.
Mas não estava disposta a fazer nenhum julgamento de valor. Só queria ver, observar, absorver tudo o que tinha, e se aperceber daquilo que estava abrindo mão.
Não era hora ainda de tentar descobrir se as escolhas estavam sendo boas, se estava mesmo feliz. Porque, havia já alguns dias, estava em dúvida sobre o real significado de felicidade...
Era ter o que ser quer, ou querer o que se tem?
Era sentir paixão, ou era sorte de um sabor de fruta mordida?
Era brincar e apostar no risco, ou era a suavidade de um dia tranquilo ?
Já não sabia mais...
Sem isso, não havia como tentar julgar. Sem intenção de julgar, só olhava.
E no meio do olhar perdido, seus pensamentos se perderam no escuro da noite.
E ela dormiu.