Monday, December 27, 2004
Encruzilhada
Estava nervosa na sala de espera. Sua vez. Confirmava suas suspeitas. Não há duvidas, doutor? Não. Ela estava mesmo grávida.
Sua cabeça começou a girar. Era uma pessoa tão inteligente, instruída...como deixara aquilo acontecer?! Uma única vez, um único deslize.
Seu pensamento entrava num turbilhão de perguntas. E agora, o que fazer? Conto ou não conto a ele? Tento me casar? Mas foi só um rencontro furtivo com ex-namorado, não estava nos meus planos passar o resto da vida ao seu lado. Conto para os meus pais? Mais importante de tudo: tenho a criança, ou aborto? Sou jovem, mas tenho idade e condição suficiente para sustentá-la, mas quero alterar a minha vida dessa forma? Sou católica e contra o aborto...Mas agora é COMIGO, é diferente... Perder minha juventude...Quem vai querer casar com uma mãe solteira? Como é a vida de uma mãe solteira? Mas se eu abortar e ninguém souber, será que fica mais fácil de esquecer com o passar do tempo? Devo matar essa vida para poder viver os planos que tenho pra minha? Eu tenho comigo o telefone de uma clínica que resolveria esse problema...ligo ou não ligo?
Não conseguia chegar a nenhuma resposta, somente mais perguntas. Muitas dúvidas, um mar delas.
Foi direto para a igreja rezar. Pediu que Deus iluminasse seu pensamento e a ajudasse a tomar aquela decisão tão difícil. E rezando, chorava. Queria ouvir uma voz lhe respondendo o que fazer. Mas não ouviu. Ficou lá por duas horas e não ouviu nenhuma voz.
Inconsolada, foi embora. Entrou no metrô. Sentou-se. Olhava para o infinito, mas não via nada. Na sua frente sentou-se uma mulher humilde, carregando em um dos braços uma pesada sacola, e no outro um bebê, quase uma criança.
Ela se esforçou pra não olhar. Era doloroso demais.
Olhava para janela. Quando sentiu um calor na sua pele. A menininha usara toda a sua mãozinha para envolver seu dedo indicador. Quando ela se virou, a meninha sorria pra ela. E aquele sorriso lhe tocou o coração. Sem explicação, tocou-lhe de uma forma profunda.
Chegou à sua estação. Saltou. Não tinha idéia das consequências que aquilo iria lhe trazer, mas tomou a decisão que iria mudar a sua vida para sempre.
Sua cabeça começou a girar. Era uma pessoa tão inteligente, instruída...como deixara aquilo acontecer?! Uma única vez, um único deslize.
Seu pensamento entrava num turbilhão de perguntas. E agora, o que fazer? Conto ou não conto a ele? Tento me casar? Mas foi só um rencontro furtivo com ex-namorado, não estava nos meus planos passar o resto da vida ao seu lado. Conto para os meus pais? Mais importante de tudo: tenho a criança, ou aborto? Sou jovem, mas tenho idade e condição suficiente para sustentá-la, mas quero alterar a minha vida dessa forma? Sou católica e contra o aborto...Mas agora é COMIGO, é diferente... Perder minha juventude...Quem vai querer casar com uma mãe solteira? Como é a vida de uma mãe solteira? Mas se eu abortar e ninguém souber, será que fica mais fácil de esquecer com o passar do tempo? Devo matar essa vida para poder viver os planos que tenho pra minha? Eu tenho comigo o telefone de uma clínica que resolveria esse problema...ligo ou não ligo?
Não conseguia chegar a nenhuma resposta, somente mais perguntas. Muitas dúvidas, um mar delas.
Foi direto para a igreja rezar. Pediu que Deus iluminasse seu pensamento e a ajudasse a tomar aquela decisão tão difícil. E rezando, chorava. Queria ouvir uma voz lhe respondendo o que fazer. Mas não ouviu. Ficou lá por duas horas e não ouviu nenhuma voz.
Inconsolada, foi embora. Entrou no metrô. Sentou-se. Olhava para o infinito, mas não via nada. Na sua frente sentou-se uma mulher humilde, carregando em um dos braços uma pesada sacola, e no outro um bebê, quase uma criança.
Ela se esforçou pra não olhar. Era doloroso demais.
Olhava para janela. Quando sentiu um calor na sua pele. A menininha usara toda a sua mãozinha para envolver seu dedo indicador. Quando ela se virou, a meninha sorria pra ela. E aquele sorriso lhe tocou o coração. Sem explicação, tocou-lhe de uma forma profunda.
Chegou à sua estação. Saltou. Não tinha idéia das consequências que aquilo iria lhe trazer, mas tomou a decisão que iria mudar a sua vida para sempre.