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Thursday, December 30, 2004

Manhã 

Encostou-se no parapeito da varanda. A brisa leve de um dia que se anunciava quente lhe balançava suavemente os cabelos. À sua frente um cartão postal da cidade.
Mas ali estavam os prédios mais luxuosos entremeados pelos barracos. A riqueza convivendo com a pobreza. A realidade nua e crua da desigualdade.
Só que ela não estava pensando nos problemas cruciais da humanidade. Sua cabeça estava envolvida em seus próprios problemas, o seu próprio mundo a absorvia por completo.
Ela só estava ali para ver um novo dia nascendo, para ter certeza de que sobrevivera, para se certificar que teria forças para viver mais um dia. Queria sentir a vida lhe enchendo os pulmões.
Sabia que agora iria ser assim: um dia a cada vez. Pelo menos por um tempo. Dizem que o tempo cura tudo. Com ela não haveria de ser diferente.

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